segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sandokan, o Tigre da Malásia

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NUNCA IMAGINEI
a dificuldade que viria a encontrar para oferecer alguns livros de aventuras aos meus netos. Aquele que eu desejava mais, não dei com ele: "Sandokan, o Tigre da Malásia”. Os relatos de aventuras de Emílio Salgari são objectos muito raros e o seu autor é desconhecido na maioria das livrarias.

Os fantásticos livros de Júlio Verne são também preciosidades capazes de me darem uma alegria como as que sentem os velhos ratos de alfarrabistas, diante duma raridade. Foi com essa sensação, pelo menos, que comprei um exemplar das “Vinte mil léguas submarinas”...

A minha intenção era a de ajudar a desenvolver a capacidade criativa, a invenção e a imaginação, ligadas à aventura, nas crianças que bem poderão ser estimuladas com os mesmos instrumentos que iniciaram os avós, muito diferentes e muito antes das novas tecnologias trazerem o desejo de matar o chefe e subir de nível, o qual se procura incutir, desde muito cedo, nas crianças de hoje.

Confesso, humildemente, que foi nestes livros de aventuras que não só aprendi o gosto pela leitura , mas também desenvolvi a capacidade inventiva e fiz crescer a minha imaginação, viajando a lugares desconhecidos, encontrando a curiosidade pelo desconhecido e descobrindo o fascínio pelo diferente, tudo isto de formas muito distintas dos esquemas estereotipados dos actuais jogos e passatempos electrónicos.

A actual injustiça para com Emílio Salgari choca-me particularmente. Não bastou o terem levado a suicidar-se faz agora 100 anos. Nem a sua vida difícil e miserável chegou para lhe concederem agora uma homenagem justa, merecida e reparadora.

Custa-me ver tratado deste modo cruel e injusto um autor a quem prometo regressar, tão fascinante foi a sua figura e tão merecida seria - já que os netos nunca dele ouviram falar e desconhecem as suas aventuras fascinantes - uma vénia respeitosa dos avós, como eu, camaradas de armas do Tigre da Malásia.

«Mais Alentejo» de Setembro 2011

2 comentários:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Joaquim

E os Corsário, o Negro, o Verde e o Vermelho? Tenho a colecção toda editada pelo Círculo de Leitores, já lá vão uns anos. Corrijo: tinha, porque já dei alguns aos meus netos. Evidentemente.

Abração

Carlos Medina Ribeiro disse...

Pois, eu também já não sei onde estão os meus "Salgaris"...

O último que li foi do Corsário Negro, e o que aqui tenho é «Os Mistérios da Selva Negra».

Outros livros que me marcaram MUITO foram os do Tarzan.
Acho que os li todos, e ainda os tenho.
Julgo que terá caído em desgraça por não ser "politicamente correcto"...